Como os servos de Deus pensam

Texto Base:

Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor.
Toda a lei se resume num só mandamento: “Ame o seu próximo como a si mesmo”.

Gálatas 5:13,14

 

Introdução

Devemos usar a liberdade como fator promotor para servir ao próximo, e não para incentivar a libertinagem. Isso exige bom senso nas atitudes e na compreensão correta dos mandamentos. Por outro lado, o bom senso se relaciona ao modo de pensar.

Para se utilizar a liberdade como fonte de servidão, é preciso pensar de acordo com Jesus, pois, assim, será possível servir em amor, e não por meio de barganha ou vaidade. Em Gálatas, Paulo chama o leitor à liberdade no ato de servir, ou seja, sem criar ou pagar dívidas, mas simplesmente por amor.

O cristão serve não porque a Igreja ou o Reino precisa dele. Essa mentalidade é falha e egoísta. Na mente do verdadeiro discípulo repousa a certeza de que o serviço é um ato que abençoa antes de tudo quem o pratica. Não se serve porque Deus precisa.

Liberdade nada mais é do que poder pensar antes de agir. O libertino é preso, porque é escravo do prazer desenfreado. Se servir é agradar Deus, não há melhor conclusão para a vida do que esta: serviço em obediência é o melhor ato de adoração. “Penso, logo sirvo”, assim é o norte na mente do cristão.

Características sobre a mentalidade do servo fiel

 

Desenvolvimento

1) PENSAR MAIS NO PRÓXIMO DO QUE EM SI

Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Rm 12:1

Pensar no próximo não significa deixar de pensar em si mesmo, mas considerar o próximo como uma oportunidade de demonstrar o amor divino. Segundo Rick Warren, “Não é pensar menos de si, mas pensar menos em si”. Cristo ensina que esse não somente é um mandamento, mas também é a melhor forma de viver e de conviver no meio social.

“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.3 Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.4 De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,5 ” Filipenses 2:3- 5

O egoísmo é facilmente vencido se o ato de mandar for trocado pelo de ensinar junto. Se todos se dispuserem a servir pelo bem do próximo, o reino divino se fortalece na terra e os princípios bíblicos criam raízes nos lares.

Deve-se servir como Jesus, livre do egocentrismo gerado pelo autoritarismo hierárquico concedido de forma errada e precoce. Se alguém agir como ditador, o discípulo precisa enxergar o momento como oportunidade de agir como abençoador.

 

2) SERVOS ENQUANTO MORDOMOS

Jesus disse aos seus discípulos: “O administrador de um homem rico foi acusado de estar desperdiçando os seus bens.1 Então ele o chamou e lhe perguntou: ‘Que é isso que estou ouvindo a seu respeito? Preste contas da sua administração, porque você não pode continuar sendo o administrador’.2

“O administrador disse a si mesmo: ‘Meu senhor, está me despedindo. Que farei? Para cavar não tenho força, e tenho vergonha de mendigar…3

Já sei o que vou fazer para que, quando perder o meu emprego aqui, as pessoas me recebam em suas casas’.4

“Então chamou cada um dos devedores do seu senhor. Perguntou ao primeiro: ‘Quanto você deve ao meu senhor?

’5 ‘Cem potes de azeite’, respondeu ele. “O administrador lhe disse: ‘Tome a sua conta, sente-se depressa e escreva cinqüenta’.

6 “A seguir ele perguntou ao segundo: ‘E você, quanto deve? ’ ‘Cem tonéis de trigo’, respondeu ele. “Ele lhe disse: ‘Tome a sua conta e escreva oitenta’.7

“O senhor elogiou o administrador desonesto, porque agiu astutamente. Pois os filhos deste mundo são mais astutos no trato entre si do que os filhos da luz”

8 Lucas 16:1-8

Em Lucas 16:1-8, encontra-se a parábola do mordomo infiel. No trecho, todos os filhos dos homens são representados como mordomos, administradores de tudo que há no mundo, pois todas as coisas pertencem ao Senhor. Por meio do exemplo, é possível extrair fundamentos essenciais para o ato de servidão:

• Todos prestarão conta a respeito de como estão servindo diante do Senhor

• Deus usa os bens materiais para provar o mordomo

• Os atos de servidão demonstrarão aos demais quem de fato é o mordomo, ou seja, o maucaratismo será punido no momento escolhido pelo Senhor

• Ainda que a ação seja digna, caso a intenção seja deturpada, o cristão prestará contas

 

O mordomo fiel deve administrar de forma honrosa, transparente e justa. Deus aguarda dos administradores atitudes dignas de confiança, porém, antes de tudo, o Senhor observa a intenção que motiva o coração.

3) FOCO NO QUE FAZ, NÃO NO QUE OS OUTROS FAZEM

O servo fiel não tem tempo para apontar falhas em atividades desempenhados por outros, uma vez que concentra os esforços nas atividades desempenhadas por ele mesmo. O pensamento do servo está em aprender tanto com seus erros como nas lições paralelas, mas não em concentrar as ações nos apontamentos dos erros dos outros. “Objetivo é fazer que a pessoa de Deus apareça de forma positiva, e não a nossa pessoa.”

“Já sei o que vou fazer para que, quando perder o meu emprego aqui, as pessoas me recebam em suas casas’.4 ” Lc16:4

Ainda na parábola, entende-se que o mordomo infiel passou a demonstrar um trabalho astuto e elogiável, somente após receber a notícia da perda do emprego. Embora as atitudes fossem motivadas na vontade de ajudar, a intenção desrespeitava o princípio de servidão. Deve-se servir com o intuito de que o próximo satisfaça a vontade de Deus e não a nossa. O pensamento de um servo excelente não se concentra no que o outro faz e tão pouco sobre como tirar proveitos de outras pessoas, mas tanto o pensamento como a ação alinham-se em exaltar Deus.

É possível que a preocupação no que os outros fazem seja a necessidade de:

• Aprovação social

• Suprir a insegurança

• Demonstrar imagem perfeita

 

O Senhor, contudo, disse a Samuel: “Não considere sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração”. 1 Samuel 16:7

 

4) SERVIR ENQUANTO OPORTUNIDADE, E NÃO OBRIGAÇÃO

Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará. Jo 12:26

O pensamento de servir deve estar relacionado ao recebimento da recompensa justa vinda de Deus, e não dos homens. Sobre servidão, cristo oferece as seguintes orientações:

• Seguir independente das circunstâncias

• Em qualquer lugar

• Confiança da companhia constante de Deus

• Fé na honra prometida

 

Em nenhum momento, Jesus obriga discípulos a servirem, mas esclarece que, caso realmente estivesse disposto a servir, deve seguir a qualquer lugar e aguardar a honra vinda do Pai. Dessa forma, o Cristão enxerga o serviço como oportunidade de obediência, fé e recompensa. Em outras palavras, servir é uma oportunidade de adoração.

Nesse contexto, pode-se citar Calebe que foi um dos doze espias enviados por Moisés de CadesBarnéia para explorar a Terra Prometida.

Em Nm 14, percebe-se que o pensamento de Calebe era diferenciado dos demais, pois apenas ele e Josué decidiram: seguir a palavra de Deus, mesmo em um ambiente terrível, confiantes de que o senhor dos Exércitos estaria com eles em todos os momentos ao longo da conquista de Canaã. Por isso foi honrado por Deus.

“Porém o meu servo Calebe, porquanto nele houve outro espírito e perseverou em seguir-me, eu o levarei à terra em que entrou, e a sua semente a possuirá em herança.” Nm 14:24 ARC

Existe ainda um outro exemplo, ainda mais preciso de pensamento de servo. Um servo que decidiu seguir a vontade do Pai, mesmo no local mais inóspito, confiante que no final de tudo Deus estaria com ele e o honraria, não somente a ele, mas a todos os que decidirem seguir pelo caminho revelado. Jesus é o maior exemplo do pensamento de servo.

“Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus.” Marcos 16:19

CONCLUSÃO

Conforme o teólogo alemão, Albert Schweitzer, “as únicas pessoas realmente felizes são aquelas que aprenderam a servir” • O mau dirá no início de suas vidas que é muito cedo para servir a Deus; e depois dirá no final que é tarde demais. • A morte de Cristo é o maior exemplo de servidão ao plano de Deus para a vida eterna