Existem algumas formas de abordar tanto o tema geral dessa série de mensagens: “Não deixe Deus fora disso”, bem como o tema específico de hoje que é: “Não deixe Deus fora dos seus negócios”.

Especificamente sobre o tema de hoje, talvez alguns pudessem abordá-lo sobre a ótica de princípios bíblicos para alguém prosperar nos seus negócios. E nesse sentido, de uma forma bem legítima, poderia falar de planejamento, disciplina, diligência ou esforço, perseverança, ser fiel no pouco, poupar, cuidar do seu pessoal, etc. Essa poderia ser uma abordagem, talvez a abordagem mais comum em nossos dias.

No entanto, o que Deus trouxe ao meu coração, aliás, já há algum tempo, e que acredito estar muito ligado ao que Deus queira de nós, cristãos, no atual contexto econômico do Brasil e do mundo em transcurso de uma pandemia, é um pouco diferente e creio possa mudar a sua perspectiva de muitas coisas… Talvez até pareça inicialmente que estou indo na rota oposta ao Tema, mas não estou; muito pelo contrário, estarei enfatizandoo em toda sua plenitude.

Vamos lá comigo!!! Prestem bem atenção, creio que Deus falará profundamente ao teu coração nesta manhã, como tem falado ao meu.

 

Marcos 10-17:25

E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei [que farei eu de bom, diz Mt 19.16] para herdar a vida eterna?  Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe. Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude. E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me. Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades. Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.”

I – As CILADAS do “Não deixe Deus fora disso” ou de “Colocar Deus em primeiro lugar na nossa vida (inclusive nos negócios)!

 

Quando falamos de “Não deixar Deus fora de algo das nossas vidas” ou em “Colocar Deus em primeiro lugar em nossas vidas”, não percebemos que caímos numa cilada. Isso mesmo. Na verdade, ao pensar assim, estamos fazendo de Deus um fantoche nosso!  

 

Estamos acreditando e vivendo um cristianismo em que EU ESCOLHO onde colocar Deus; em que EU ESCOLHO tirar Deus da minha vida ou dar um lugar privilegiado a Ele na minha agenda. Em que EU DETERMINO os limites e a participação de Deus na minha jornada. No final das contas, sabe o que isso significa? O que muitos homens que se negaram a crer em Deus afirmaram: Deus é uma ilusão, uma farsa; um deus criado à imagem e semelhança do homem e não um homem criado à imagem e semelhança de Deus!

 

É o Deus que, quando EU preciso, EU clamo a Ele desesperadamente como uma criança dependente do pai; mas, quando EU me compreendo como um adulto, independente, ou com alguma estabilidade, EU escolho colocá-lo ou não na minha vida

 

É o “deus” que o filósofo FEUERBACH, no séc. XIX, afirma ter sido criado à imagem e semelhança do homem, e não o homem à imagem e semelhança de Deus!!! Porque, para FEUERBACH, no homem reside a verdade (o homem escolhe, o homem determina) e, quando o homem concebe Deus, ele o concebe algo de acordo com ele mesmo, homem!

 

Esse é “o deus” que Freud, no início do séc. XX e influenciado por FEUERBACH, também negou. O “deus” que ele considerou uma ilusão da mente humana, para a qual se projetam as necessidades narcisistas de proteção e amparo, supridas pela figura paterna na infância, mas que na vida adulta se projeta para um ser divino a ser cultuado e adorado. E olha que nada há de errado em ver Deus como Pai, pois assim Jesus nos apresentou. Mas…

 

Pense comigo: há uma grave incoerência nessa concepção de fé cristã que declara que NÓS podemos DEIXAR DEUS DE LADO ou INCLUÍ-LO em qualquer coisa de nossas vidas. Igualmente, quando pregamos um estilo de vida em que NÓS colocamos Deus em PRIMEIRO LUGAR. Nesse modo de pensar, quem está no comando (quem detém a verdade) não é Deus, somos EU e VOCÊ! EU DEIXO DEUS DE LADO. EU O COLOCO EM PRIMEIRO LUGAR. Então, Deus não está sendo Deus, mas uma ilusão, uma farsa, um deus à nossa imagem e semelhança, um fantoche.

 

UMA FÉ CRISTÃ GENUÍNA NÃO ABRE MARGEM PARA SE COLOCAR DEUS FORA NEM DENTRO DE NOSSAS VIDAS; NEM PARA COLOCÁ-LO EM PRIMEIRO OU ÚLTIMO LUGAR NAS NOSSAS VIDAS! UMA FÉ CRISTÃ GENUÍNA SIMPLESMENTE ACEITA (NO SENTIDO DE RECONHECER ALGO QUE JÁ É) DEUS COMO PREMISSA DAS NOSSAS VIDAS. 

 

E O QUE SIGNIFICA ISSO? QUAL A DIFERENÇA?

 

A diferença está exatamente no que Jesus falou ao jovem rico. Aquele jovem NÃO queria DEIXAR DEUS FORA DA SUA VIDA, e ele era um homem de NEGÓCIOS, tinha propriedades…, mas ele não entendeu uma coisa: ninguém simplesmente ACRESCENTA Deus a sua vida. A fé cristã genuína não é assim (DEUS NÃO É UM INGREDIENTE). Não apenas se acrescentam atos, por mais bondosos que sejam, ou atitudes por mais bíblicas que sejam… A fé cristã genuína não é compatível com um DEUS que se contenta em SIMPLESMENTE com ser incluído ou com não ser esquecido em nossas vidas. Segundo a fé cristã genuína DEUS (e CRISTO) PRECISA SER A PREMISSA que DETERMINA TODA A NOSSA VIDA, A PARTIR DELE. 

 

Aquele jovem chegou até JESUS achando que lhe bastaria acrescentar algo mais no seu estilo vida, na sua agenda, nas suas tarefas como “bom” cumpridor dos mandamentos; algo no rol das suas boas ações, para que pudesse herdar a vida eterna. Ele achava que poderia dar lugar para Deus na sua agenda, fazer algo que não deixasse Deus de fora de sua vida, mas Jesus vem e, contrariando toda sua lógica (comum em nossos dias), disse: Ainda te falta uma coisa: pega tudo o que tem e dá aos pobres, depois vem e me segue!

 

UAU!!!! Ele nunca imaginaria uma resposta daquela. Ele estava esperando uma resposta com “jeitão de coisa de crente”, de algo para ele fazer. Contudo, o que Jesus fala? Larga tudo e vem! Jesus reposicionou o centro da relação homem (no comando) > Deus para Deus (a premissa) > homem.

 

Jesus, inverteu a lógica equivocada do jovem e, em outras palavras, estava se reportando a AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS, mandamento que faltou na lista mencionada na conversa! Estava dizendo: Só existe um lugar para mim na vida de um cristão: é AQUELE QUE DETERMINA SUA VIDA, não O DE SER APENAS UMA DE SUAS ESCOLHAS DO QUE FAZER DELA. NÃO DE UM COADJUVANTE. EU PRECISO SER A PREMISSA!

 

Embora não tenhamos mais tempo para aprofundar nesse ponto, se você entendeu o que foi dito até aqui, você terá uma nova e mais profunda compreensão de Mateus 6.33: Mas buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas. PARA UM CRISTÃO GENUÍNO, “NÃO DEIXAR DEUS FORA DA SUA VIDA E DOS SEUS NEGÓCIOS” SIGNIFICA RECONHECER DEUS COMO PREMISSA, ATÉ PORQUE, SÓ ASSIM FAREMOS JUS AO NOME DE CRISTÃO (PEQUENO CRISTO)

 

E Premissa significa: O QUE ANTECEDE E DETERMINA A CONCLUSÃO, OS RESULTADOS. 

 

DEUS PRECISA SER A PREMISSA DA SUA VIDA, NÃO UM FANTOCHE QUE VOCÊ ESCOLHE QUANDO RETIRAR OU COLOCAR NELA. [ESSA É A PREMISSA DESTE SERMÃO KKK]

 

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A partir do exposto, como UM CRISTÃO deve, então, conceber DEUS em seus negócios no dia a dia (e quero expandir aqui o conceito de negócios para alcançar nossa administração financeira da vida pessoal também)? Para falarmos disso, trabalharemos mais dois pontos, para os quais utilizarei como base bíblica, além do texto inicial, os versículos que lerei com vocês agora: 

 

Ecl 5:10  Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade. Ecl 5:19  Quanto ao homem a quem Deus conferiu riquezas e bens e lhe deu poder para deles comer, e receber a sua porção, e gozar do seu trabalho, [SAIBA] isto é dom de Deus.

 

1Tm 6:9  Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. 1Tm 6:10  Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. 1Tm 6:11  Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. 1Tm 6:12  Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas.

 

II – Deus deve DETERMINAR a MISSÃO, a VISÃO e os VALORES do meu NEGÓCIO ou TRABALHO (foi o que JESUS quis ensinar ao jovem rico)

 

  1. Os negócios de um cristão devem ter como premissa que riquezas, bens e poder, inclusive a possibilidade de desfrutar de tudo isso, têm como fonte DEUS! (Ec 5.19). Não é o seu braço, suas habilidades, sua capacidade gerencial, sua criatividade… (isso veio de Deus, por mais que você tenha se esforçado para adquirir). Lembra-se de João 15 (sem Mim, nada podeis fazer).

Ecl 5:19  Quanto ao homem a quem Deus conferiu riquezas e bens e lhe deu poder para deles comer, e receber a sua porção, e gozar do seu trabalho, [SAIBA] isto é dom de Deus.

 

  1. Um negócio de um cristão não tem por REFERENCIAL (PREMISSA) de visão, missão ou valores GANHAR DINHEIRO, ADQUIRIR RIQUEZAS, BENS e PODER, mas REALIZAR O PROPÓSITO DE DEUS e REFLETIR o CARÁTER DELE, seja como INSTITUIÇÃO diretamente, seja gerindo/servindo essa INSTITUIÇÃO ou TRABALHO, para o PROPÓSITO DE DEUS expresso pela/na vida de seus TITULARES. (Ec 5.10 e 1 Tm 6.10)

 

Ecl 5:10  Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade.

1Tm 6:10  Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.

 

III – Deus deve DETERMINAR minhas DECISÕES, meu CARÁTER e minhas ATITUDES nos meus NEGÓCIOS (pessoais, INSTITUIÇÃO e TRABALHO)

 

  1. Deus, e não os negócios ou o trabalho, deve ser premissa e determinar as DECISÕES, o CARÁTER e as ATITUDES de um cristão, seja que posição ele ocupe ou que grau de projeção tenha a sua INSTITUIÇÃO. E é muito comum inverter isso, por receios, por querer chegar rápido demais, por querer projeção (1 Tm 6.9: desejo de ficar rico -> tentações, ciladas, desejos insensatos e perniciosos, que levam à perdição). O que tentado desviar seu foco de Deus nos seus negócios, à frente da instituição da qual você é gestor ou trabalha? Quais as concupiscências, as ideias (sabe aquelas ideias malignas) têm sussurrado em seus ouvidos?

 

1Tm 6:9  Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas (QUE CAUSAM MAL), as quais afogam os homens na ruína e perdição.

 

  1. Na condução dos seus negócios (pessoais, INSTITUIÇÃO ou em um TRABALHO), as DECISÕES, o CARÁTER e as ATITUDES do cristão devem seguir (TER COMO PREMISSA) o que é pertinente a um homem (ou mulher) de Deus, como descrito em 1Tm 6.11-12: JUSTIÇA, PIEDADE, FÉ, AMOR, CONSTÂNCIA, MANSIDÃO E TOMAR POSSE DA VIDA ETERNA. Quais têm sido suas atitudes, decisões, o que tem servido de referência e premissa para o seu caráter?

Quero te contar duas histórias rápidas que ilustram tudo isso, uma de um livro e outra pessoal minha.

 

  1. Exemplo do livro “O IMPACTO DO REINO: o que acontece quando o reino de Deus se manifesta entre nós”, p. 128 e 129 (um dos melhores livros que já li na minha vida). Um casal que havia renunciado seus projetos pessoais para trabalhar com crianças aborígenes (indígenas) da Austrália, abusadas e abandonadas, diante da percepção de injustiça com a forma como os bancos e empresários locais de lá SURRUPIAVAM o dinheiro dos pensionistas (maioria idosos e sem estudos), PENSOU. COMO PODEMOS AJUDÁ-LOS. As instituições do Estado tinham aquilo como normal. Tiveram a ideia. Vamos trocar os cheques das pessoas por dinheiro na própria loja. Eles lhes pagavam corretamente e, depois, descontavam seus cheques sem aceitar enrolação do banco (assim combinaram com os bancos locais). O que aconteceu? As pessoas recebiam a quantia certa (bem mais), e conseguiam comprar mais coisas. Como resultado, pessoas de outra cidade, a 40km, que sofriam o mesmo, iam lá só para trocar os cheques. Acabaram vendo também que era mais barato comprar seus produtos na loja do casal – que assim financiava seus trabalhos para Deus – do que nos outros comerciantes (que os enrolavam). O dinheiro rendia mais!!! Olha Deus trabalhando a visão, a missão e os valores dos negócios dessa família!

Como Jesus constantemente falava, que não estava revogando a Lei, mas cumprindo-a, o que falamos aqui não é a desconstrução do tema “Não deixe Deus fora dos seus negócios”; é, na verdade, a plenitude do que isso significa. DEUS PRECISA SER A PREMISSA DE NOSSAS VIDAS E DOS NOSSOS NEGÓCIOS! Pensar em deixar Deus fora de qualquer área de nossas vidas é incoerente e uma sútil cilada. E, para um cristão, o pensar que pode deixar Deus ou incluir Deus em algo é sem sentido, pois Deus deve ser nosso Senhor!

 

Tudo o que falamos aqui tem a ver com duas questões centrais: 

  1. Quanto estamos realmente “cheios de Jesus”?
  2. O quanto Ele vive em nós (O QUANTO ELE É NOSSA PREMISSA)?

 

Se somos cristãos genuínos, cidadãos do Reino, cheios de Jesus, Ele deve definir quem somos (SER NOSSA PREMISSA). Isso foi o que Paulo falou em Filipenses 2.13:  “pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a sua boa vontade”. 

 

Deus te chama hoje para algo maior (NA VERDADE, PARA A PLENITUDE) do que significa Não deixar Deus de fora dos seus negócios, da sua vida! Ele QUER TE CHAMAR hoje para SER PREMISSA DA SUA VIDA. ASSUMIR a única posição em que NOSSAS VIDAS O EXPRESSARÁ DE VERDADE! SERMOS CHEIOS DE JESUS!