“Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.
Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra
da ciência;
E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar;”

1 Coríntios 12:7-9

Todo ser humano enfrenta alguma doença em um determinado momento da vida. Existem diversos tipos de enfermidades, podendo ser classificadas como física, emocional e espiritual. Porém, independente da doença, ela tem propósitos específicos: lembrar-nos que somos limitados, extremamente frágeis e precisamente dependentes de Deus.

Segundo Champlim, “dessa maneira, através das curas, os homens são levados a considerar as realidades da alma, mediante as curas do corpo material”. Ou seja, o poder de curar é o único descrito por Paulo no plural, exatamente por existir diversidade de doenças que demonstram como o homem possui feridas nas mais diversas áreas.

Percebe-se, assim, que a esperança de cura física, emocional e/ou espiritual implantada no interior do cristão incentiva a confiar que, independente da enfermidade, Deus possui o poder necessário para proteger e para ensinar lições preciosas.

O objetivo desse sermão é demonstrar a atuação divina em meio aos diferentes tipos de doenças, e como essa atuação pode nos conduzir ao que basta de fato.

1) ESPERANÇA DA CURA FÍSICA

“Ao passar, Jesus viu um cego de nascença. Seus discípulos lhe perguntaram: “Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?”
Disse Jesus: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele.”

João 9:1-3

“Então lhe disse: “Vá lavar-se no tanque de Siloé” (que significa Enviado). O homem foi, lavou-se e voltou vendo.”

João 9:7

Segundo o exemplo do cego de nascença, percebe-se que por ter convivido com a doença, ela já fazia parte da sua identidade, pois era conhecido como o cego de nascença, ou seja, aquele que nasceu e que morreria cego. Tal fato possivelmente já havia retirado qualquer resquício de esperança de fé na cura, pois a enfermidade virou parte da vida do indivíduo.

No contexto, a doença física atrelada à falta de esperança feriu a própria identidade do homem
cego, pois, no versículo 9, percebe-se que as pessoas não mais o reconheciam, porque ele já estava
enxergando.

“Uns diziam: É este. E outros: Parece-se com ele. Ele dizia: Sou eu.”

João 9:9

Após a cura, no versículo 7, o homem vagou no templo testemunhando o milagre físico, porém, apenas foi esnobado pelas pessoas e expulso pelos sacerdotes. Apesar de enxergar naquele ambiente, foi somente no versículo 35, tempos depois da cura, que ele viu Jesus de fato. 

“Jesus ouviu que o haviam expulsado, e, ao encontrá-lo, disse: “Você crê no Filho do homem? “
Perguntou o homem: “Quem é ele, Senhor, para que eu nele creia? ” Disse Jesus: “Você já o tem visto.
É aquele que está falando com você”. Então o homem disse: “Senhor, eu creio”. E o adorou.”
João 9:35-38

Infere-se do texto que a cura física resgatou não somente a visão, mas consolidou a identidade daquele homem, não mais como o cego de nascença, mas, agora, como adorador de Jesus. Após enxergar, embora ele tivesse visto o mundo pela primeira vez, apenas encontrou discriminação, por não ser mais o homem cego que os demais se acostumaram a ver. Será que ele preferiria voltar a ser o que era antes? Somente ao contemplar o Cristo, ele entendeu que Deus usou a esperança da cura para solidificar a identidade.

2) A ESPERANÇA DA CURA EMOCIONAL

A cura emocional hoje não é tão conhecida, e até por alguns evitada, justamente por escassas pessoas admitirem que são doentes emocionais. Se o indivíduo não é doente, por qual motivo ele procuraria a cura? Todavia, por meio de Elias, podemos compreender que a enfermidade emocional existe e pode ser curada:

“Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais. E deitou-se, e dormiu debaixo do zimbro; e eis que então um anjo o tocou, e lhe disse: Levantate, come.”

1 Reis 19:4,5

Elias é exemplo de um servo deprimido. Após se isolar, ele não negou a Deus, mas pediu a morte, uma vez que, ameaçado e caçado, não queria mais continuar vivo. Elias tinha caído em profunda depressão, se sentia um fracassado. Estava cheio de resmungos. Ele vira grandes coisas, mas elas foram reduzidas a quase nada. Houvera grande pirotecnia em seu ministério, mas nenhuma mudança entre o povo. Yahweh lhe dera vida, mas agora Elias pedia que Yahweh a tirasse. Isso é o exemplo de alguém exaurido emocionalmente, ferido no seu interior diante de tantas perseguições e perdido num caminho nublado por dúvidas.

Deus zelou pelo profeta em meio a sua doença, ofertou uma boa refeição (v.6); uma boa noite de sono (v.6); mais uma boa refeição (v.7 e 8); e no (v.8-15) Elias foi conduzido por dias para uma caverna, e, após isso, Deus deu início a cura emocional perguntando no versículo 9: “Que fazes aqui Elias?”. Isso significa:

 • Ao questionar Elias, Deus estimula autorreflexão para eliminar a autocomiseração.
 • Após o vento forte, o terremoto e o fogo, Deus se revelou por meio de uma voz mansa. Depois de momentos turbulentos, Elias necessitava de calmaria. Deus entregou a esperança da cura emocional exatamente naquilo que o profeta precisava, paz.

No vv15, o Senhor resgata a integridade de Elias e diz: “Vai, volta pelo teu caminho”.

É compreendido que quando a doença emocional se instala, é necessário um cuidado peculiar por meio de Deus. Curas físicas normalmente são imediatas, mas a emocional geralmente leva dias de cuidado espiritual. Isso ocorre, pois, para recuperar a esperança, é necessário conviver com Deus, dia após dia, para que os traumas sejam sarados no tempo adequado.

 

3) ESPERANÇA DA CURA ESPIRITUAL

“E, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe; E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós. E ele, vendo-os, disselhes: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos. E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz; E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano. E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro? E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou.” Lucas 17:12-19

Após os 10 leprosos terem suas feridas saradas, apenas um retornou para de fato receber a cura espiritual. É possível, assim, estar íntegro fisicamente e emocionalmente, mas apodrecido espiritualmente, uma vez que somente a cura espiritual, buscada pelo samaritano, é capaz de conduzir ao caminho salvífico.

Assim, o texto nos leva a refletir: “do que adianta ter as feridas saradas, se a salvação está resumida
a nada?”. Existem sinais da cura espiritual ensinados por meio do samaritano:

• Gratidão antes de tudo
• Reconhecimento de que a glória é de Deus
• Não influência por outros
• Suficiência da graça pela cruz

Aquele samaritano foi curado de algo muito mais temível do que a lepra, a podridão da alma. Jesus é o responsável por curar não somente as feridas da carne, mas as úlceras vindas do pecado. Em Cristo, o orgulho é vencido, a cobiça dos olhos é contida e os prazeres da carne são superados pela satisfação de adorar. A cura espiritual é alcançada quando se entende que a graça basta.

Embora o tema seja Esperança da Cura, é prudente esclarecer que Deus, diante da sua soberania, pode não querer liberar a cura emocional ou física. Timóteo permaneceu com os problemas no estômago, da mesma forma que Paulo continuou com os espinhos, além do próprio Eliseu ser acometido de uma doença que lhe matou por não receber a cura física, “E Eliseu estava doente da enfermidade de que morreu”. 2 Reis 13:14.

Segundo Champlim, “Seja como for, a cura de certos indivíduos é impedida pela vontade de Deus; e podemos estar certos de que isso nem sempre indica a ausência de fé, mas está baseado em alguma razão moral, passada ou presente”.

Isso nos ensina exatamente o que Jesus revelou para Paulo: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” 2 Co 12:9. Diferente das demais, a cura espiritual é a responsável por demonstrar que a Graça Basta. O que isso significa:

– Por meio da doença, o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza
– A verdadeira força não é nossa
– É somente pela cruz, que a Graça é entendida como “aquilo que me completa”

Doenças nem sempre representam falta de fé. O fato de que Deus se reserva ao direito soberano de curar quem ele quiser é necessário ser considerado.

Ainda que curado fisicamente e emocionalmente, a pessoa pode não receber a cura espiritual, o que produzirá efeitos muito mais danosos do que qualquer outra doença.

É a cura espiritual dos pecados vem por meio do entendimento da cruz, mesmo não sendo curado
das chagas corporais.

Por meio da cura espiritual é que se enxerga a graça como suficiente.