Lucas 21:1-4 ACF

 “E, olhando ele, viu os ricos lançarem as suas ofertas na arca do tesouro; E viu também uma pobre viúva lançar ali duas pequenas moedas; E disse: Em verdade vos digo que lançou mais do que todos, esta pobre viúva; Porque todos aqueles deitaram para as ofertas de Deus do que lhes sobeja (sobrava); mas esta, da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha.”

Quando se trata do relacionamento entre Deus e os recursos financeiros, emerge uma questão sensível. Exageros em relação à temática são proclamados e praticados na realidade religiosa brasileira. Por que é difícil discorrer sobre o assunto? É difícil porque admitir a intervenção divina na condição orçamentária, envolve, antes de tudo:

 

  • , para confiar que Deus é o provedor
  • Humildade, por reconhecer que Deus é o dono de todas as coisas
  • Paciência, para entender que Deus possui o plano perfeito para prover uma vida digna

Cl 1:9,10

“Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus;”

 

Ante o contexto, o apóstolo Paulo escutara da parte de Epafras que os Colossenses necessitavam da intervenção divina, justamente para que vivessem de forma digna. Assim, essa maneira de viver é uma promessa divina para os que realmente acreditam na provisão por parte do redentor, tal qual fora demonstrado no exemplo da viúva pobre.

Objetivo do sermão é, por meio da ação da viúva, entender a importância da participação de Deus na vida de uma pessoa que o reconhece como Dono de todos os recursos. A presença de Deus na área financeira nos ensina:

1) A ENTREGAR O QUE CUSTA

Lc. 21:1

“E, olhando ele, viu os ricos lançarem as suas ofertas na arca do tesouro;” 

De início, percebe-se que os ricos entregavam algo que não chamou a atenção de Cristo. Ofertavam o que sobrava, ou seja, o que não custava. A partir do texto, é possível listar que:

 

  • É quando as ofertas custam que se chama a atenção de Deus. Quantidade x qualidade
  • Quando o “dar” é não-sacrificial, não é adoração, mas sim uma exibição
  • A presença de Deus na área financeira é um sinal que representa a comunhão com o Pai

 

O gazofilácio naquele período era uma espécie de uma sala com pórticos. Nessa área, existia o espaço próprio para a mulher e para o homem, e no ato do depósito, todos necessitavam registrar o ofertado ante um ritual especial. Assim, quem estivesse próximo, saberia quanto o indivíduo estava ofertando.

 De acordo com o exemplo dos ricos, quando Deus não está relacionado com os recursos, não se entrega o que custa. Nessa circunstância, o homem tende a exaltar si mesmo diante dos pares, mas na realidade, isso apenas o conduz à morte espiritual.

Isaías 14:11

“Sua soberba foi lançada na sepultura, junto com o som das suas liras; sua cama é de larvas, sua coberta, de vermes.” 

 O que custa a ponto de ofertar como sacrifício?

 

2) A CERTEZA DA PROVISÃO

Lc 21:2-3

 E viu também uma pobre viúva lançar ali duas pequenas moedas; E disse: Em verdade vos digo que lançou mais do que todos, esta pobre viúva; 

 

Por meio do texto, compreende-se que a Viúva Pobre se dispôs a ajudar com o que tinha: duas pequenas moedas (lepton, menor valor). Quando Deus atua nos recursos do indivíduo, há a predisposição de ajudar o próximo, ser generoso. Dessa forma, a atenção de Jesus foi atraída para a viúva, constatando que ela ofertou mais do que todos.

É comum ricos ajudarem os pobres, porém é raro um pobre ajudar outro pobre. Como entender isso no caso da viúva? A atitude dela é explicada pelo fato de ela não se achar pobre. Na realidade, ela possuía mais do que qualquer um presente a ponto de ser generosa. Ela tinha mais do que todos pois reconhecia a Provisão Divina. Diante dos sacerdotes, ao invés de murmurar, lamentar ou invejar, seu coração se predispões a ajudar.

 

Pv 8:18

“Riquezas e honra estão comigo; assim como os bens duráveis e a justiça.” 

 

No versículo 3, Jesus confirma que a viúva deu mais do que todos. Segundo Champlim, essa afirmação está relacionada à proporção do que ela possui em relação ao que ela poderia dar. Se o indivíduo tem muito não necessariamente ofertará mais do que aquele que tem pouco. Essa proporção é vinculada à intenção do coração e somente é respeitada diante da certeza da provisão divina. A questão não é o que vai faltar, mas sim a certeza de que Deus proverá o necessário para se ter uma vida digna Jehovah-jireh.

 Quando Deus está presente na administração dos recursos, a certeza da Provisão guia os atos, isso implica:

 

  • Ausência de murmuração
  • Inibição da raiz de inveja
  • Alegria empática

 

3) A DISPOSIÇÃO DE FAZER O QUE É CERTO

 No contexto, percebe-se que a viúva pobre seria por direito a própria destinatária do recurso ofertado, que, por sinal, era pessimamente gerido pelos escribas sacerdotais. Todavia, possuindo a consciência de que Deus atua na administração dos seus recursos, ela fez o que é certo, ofertou ao templo, independente de outros poderem julgá-la ou condená-la pela quantia entregue.

 Os escribas foram alertados por Cristo diante dos seus testemunhos:

Mc 12:38-40 

“E, ensinando-os, dizia-lhes: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas, e das saudações nas praças, E das primeiras cadeiras nas sinagogas, e dos primeiros assentos nas ceias; Que devoram as casas das viúvas, e isso com pretexto de largas orações. Estes receberão mais grave condenação.” 

 Pelo texto, entende-se que os escribas eram um dos responsáveis pela miséria das viúvas, ainda assim, a Viúva seguiu em obediência ao mandamento da oferta e do dízimo, Mt. 23:23. O cristão deve agir da maneira certa, impreterivelmente e incondicionalmente. Não se deve justificar o erro pela má conduta de outras pessoas! Os atos do cristão devem retratar os de Jesus

 “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.” 1 Co 10:31

 

4) DOAÇÃO DE VIDA 

Lc 21:1-4

“Porque todos aqueles deitaram para as ofertas de Deus do que lhes sobeja (sobrava); mas esta, da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha.”

 

Lendo o texto, pode-se perceber que a doação da viúva poderia lhe custar a própria vida, já que Jesus afirmou que ela “deitou todo o sustento que tinha”.

 

A viúva não somente entregou o que tinha, mas o que era necessário para ela continuar sobrevivendo nas condições daquela época. Nesse momento, percebe-se um possível conflito entre imprudência e providência. Alguns podem afirmar que ela foi imprudente, mas por meio da fé, entende-se que ela creu na providência, tal como ensinado em Mateus.

Mateus 6:31-33

“Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

 

A narrativa não explora o que ocorreu após a doação da mulher. Como ela sobreviveu sem ter nada? Como ela pagou o aluguel? Como ela pagou a gasolina? Impossível afirmar se aquela doação da Viúva lhe custou a própria vida. Aqui é flagrado um ato profético. Ocorreu uma doação na história que foi a responsável por salvar a vida de outros, até mesmo daqueles que inicialmente não criam. Essa doação custou não somente duas moedas, mas muito mais do que qualquer riqueza que todos poderiam ter naquela época, ela custou a própria vida do doador. E somente por meio dessa doação, foi possível encontrar a justificação.

 

Rm 4:25

“Ele foi entregue à morte para pagar todos os nossos pecados e ressuscitado para nossa completa justificação.” 

 

A Viúva pobre tipifica Jesus. Ele entregou algo que também era desrespeitado na época, ele se dispôs a doar o necessário para continuar vivo e mesmo diante da incredulidade, Ele se sacrificou pelo que era certo. A diferença é que Jesus doou o bastante e suficiente para salvar a humanidade. Isso ocorreu pois Ele permitiu que Deus gerisse seus recursos, inclusive sua própria vida, por meio da cruz.

Quando Deus participa dos recursos, o reconhecimento da sua soberania é flagrado por meio das obras e atitudes, da mesma forma como a Viúva foi notada por Jesus. Viver de forma digna significa confiar a vida, os recursos e os sonhos nas mãos de Jesus  

A ajuda de Deus na gestão dos recursos nos estimula a questionar se estamos dando o máximo de nós para auxílio dos demais, ou apenas o que sobra. Sempre a melhor escolha é entregar tudo nas mãos de Deus, mesmo que o tudo seja quase nada.