Salmos 27: 4

4. Uma coisa pedi ao Senhor, é o que procuro: que eu possa viver na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a bondade do Senhor e buscar sua orientação no seu templo.

Salmos 84: 1-4

1. Como é agradável o lugar da tua habitação, Senhor dos Exércitos!

2. A minha alma anela, e até desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e o meu corpo cantam de alegria ao Deus vivo.

3. Até o pardal achou um lar, e a andorinha um ninho para si, para abrigar os seus filhotes, um lugar perto do teu altar, ó Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus.

4. Como são felizes os que habitam em tua casa; louvam-te sem cessar! Pausa

Salmos 122: 1

1. Alegrei-me com os que me disseram: “Vamos à casa do Senhor! 

Introdução

Se existe algo certo é que vivemos cada vez mais sobrecarregados, atarefados, assoberbados, envolvidos em um sem número de atividades, segundo o ritmo que tem sido ditado por esse mundo, com todas as facilidades tecnológicas e sua complexidade.

Temos nos OCUPADO DEMAIS, e com certeza, com coisas que nos têm tirado DO FOCO de uma vida plena. FAZEMOS diversas coisas por demanda, demanda proveniente das exigências deste mundo, e nos vemos sabotando nossas vidas, nossos princípios, o que acreditamos.

Precisamos ESCOLHER o que queremos VIVER. ESCOLHER significa abrir mão de coisas dando preferência a outras. Precisamos nos DESOCUPAR do que nos tem tomado de SEGUIR UMA VIDA ORIENTADA POR DEUS!

Até porque, ser cristão de verdade é compreender que não vivemos para nós mesmos, mas para aquele que nos amou e se entregou por nós.

Dizem que desde a Revolução Industrial (quando se multiplicaram as formas de produção, de trabalho) “ter cada vez menos tempo” vem se tornando normal, regra. E aquela ideia de que a tecnologia iria ajudar a ter mais tempo, virou balela!

Com a pandemia, essa sensação de encurtamento do tempo só aumentou. O Home Office ou as aulas online, soluções que se impuseram de início e hoje já integram o “normal” de muita gente, mexeram profundamente com a nossa percepção de tempo e com a forma de nos relacionarmos.

Talvez você não perceba, mas aquele período de traslado (de metrô, de ônibus, de carro ou à pé), aquele momento do lanche e do cafezinho, o arrumar-se para ir ao trabalho ou escola, e a preocupação de chegar lá na hora, pois há uma hora de iniciar e de terminar, esses marcos, essas pequenas paradas, elas nos ajudavam a perceber a passagem do tempo.

Quando isso some de uma hora para outra, nós nos perdemos em perceber como o tempo passa. Você acorda, já começa a trabalhar, ou a fazer as tarefas da escola, seu chefe já mandou e-mail 6h da manhã, e quando você vê, já é noite, você está de pijamas… 

Estudos já mostram que as pessoas hoje estão gastando cada vez mais tempo em suas atividades profissionais, pois, sem mudar de ambiente em Home Office, sem as paradas, a dificuldade de se desligar do trabalho e passar para outra atividade é multiplicada. Ficamos ainda MAIS OCUPADOS!

Pior, o tempo que você achava que estava ganhando (de traslado, não parar para lanchar…), na verdade se dilui. Gastamos mais tempo com nossas atividades profissionais e até com escola, e vem a sensação de que o nosso tempo (para a vida) só está encurtando.

Isso acontece porque a percepção de tempo não é algo que se mede apenas pelo ponteiro do relógio. É uma noção subjetiva, que guarda relação com os marcos que temos (ou deixamos de ter) e também com o quanto gostamos daquilo que fazemos, se é bom, relevante, prazeroso para nós, o quanto nos envolvemos.

E a prova disso é que aquelas coisas chatas, irrelevantes parecem demorar uma eternidade, enquanto algo muito bom, importante parece que passa rápido demais. Essa lógica explica por que muito do que fazemos pode ser maravilhoso, uma experiência extraordinária, ou se tornar um peso, que fazemos por obrigação, até perda de tempo.

Pensamos: eu poderia estar em outro lugar, fazendo outra coisa… E, aliado a isso, vem também a sensação de gerir nossa vida virtualmente, sem necessidade de “estar em comunidade”, afinal, consigo praticamente tudo do meu computador, do meu canto, sem precisar deslocar.

Estou trazendo essa reflexão inicial para introduzir o nosso tema de hoje que é: OCUPADOS DEMAIS PARA AMAR A CASA DE DEUS!

Desenvolvimento

1) NÃO POSSO AMAR A CASA DE DEUS NO MODO “ON LINE”?

Essa é uma das questões que, com certeza, acendeu com a pandemia. E, diante desse vai e vem do aumento de casos de Covid, agora também H3N2, muitas pessoas por cautela têm, mesmo, optado por não se arriscar, ficar em casa, muitas vezes pela vulnerabilidade de sua saúde, o que é compreensível.

Mas será que, de fato, estamos mantendo aceso nosso amor por Deus e pela casa de Deus nesse tempo, ou estamos é nos perdendo no nosso tempo, ficando OCUPADOS DEMAIS com outras coisas, a ponto de já estarmos olhando para o IR À IGREJA como algo pesado, que vai demandar sair, tomar banho, arrumar, deslocar…? Pior, talvez para alguns esteja soando até como perda de tempo?

Estive fazendo umas pesquisas para preparar esta mensagem e em uma delas apareceram as 5 Maiores Igrejas OnLine (pelo menos dos EUA – a pesquisa é de 2019, anterior à pandemia).

E quando falo de Igrejas OnLine, não entram as que apenas fazem transmissão dos cultos, têm comunidade nas redes sociais (Facebook ou Instagram) ou hospedam podcasts ou algo similar, como é o caso da nossa.

Essas não são consideradas igrejas online. Igrejas online são que tratam a internet como um dos seus campus, com chat interativo, pastores dedicados ao atendimento online, ministros na web prontos a servirem a sua cyber-congregação, etc. Você deve estar pensando: e existe isso, pastor?

Existe. A maior delas, inclusive, é uma Igreja que o nosso pr. Paulo tem como referência, que é a Life Church, do pr. Craig Groeschel, e que tem aquele aplicativo de leitura bíblica (YouVersion), muito utilizado hoje. Eles tinham, antes da pandemia, uma média de atendimentos semanais online de 70 mil pessoas (imagine hoje?).

Na época da pesquisa, a LifeChurch tinha 27 Igrejas físicas nos EUA, hoje, quase 3 anos depois, têm 39.

Duas coisas merecem ser observadas em relação a igrejas on-line:

i) Primeiro: não se considera igreja online apenas ouvir a transmissão de cultos, interagir com as redes sociais da igreja (Facebook, Instagram), assistir a podcasts. Isso é fazer autogestão da sua vida cristã, como diz o Pr. Ed René Kivitz.

É algo que contraria a própria natureza do Evangelho, que não é individualista, ao contrário, é para ser vivido em coletividade. Os que integram as chamadas cyber-congregações têm acompanhamento pastoral, exercem seu ministério servindo na Web, como ocorre nas igrejas físicas, há atendimento online, não apenas um e-mail ou um “Fala Conosco” onde você envia uma mensagem,ou assiste vídeos ou podcasts, enfim, há toda uma estrutura de suporte, que se aproxima de um pastoreio e de serviço.

No caso da LifeChurch, para pessoas que, de repente, tenham alguma restrição, dificuldade, ou morem em outro país, outro Estado (as igrejas físicas da LifeChurch estão todas bem no centro dos EUA, nas extremidades nortesul-leste e oeste não há), seria uma opção.

Mas, para os membros que moram nos locais onde há igrejas físicas, com certeza, não substitui o encontrar outras pessoas, estar em meio à congregação, em contato presencial, adorando juntos, podendo exercer ali a comunhão, até sair juntos depois do culto (óbvio, nos limites possível hoje pela pandemia);

ii) Segundo: as igrejas físicas continuam crescendo, o que indica que, mesmo com a possibilidade de cyber-congregação, o contato presencial continua sendo de extrema relevância e até insubstituível.

O autor aos Hebreus nos fala diretamente da importância de congregarmos, vivermos a comunhão presencial:

24 Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. 25 Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.

Precisamos ficar atentos para não nos autossabotarmos em relação ao nosso amor por Deus e pela casa de Deus; para não utilizarmos a lógica bíblica de “remir nosso tempo” (…) a fim justificar o estarmos OCUPADOS DEMAIS PARA AMAR A CASA DE DEUS ou a ideia de autogestão da vida cristã, o que é, na verdade, uma postura não cristã, no seu pleno significado!

15 Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios,

16 remindo o tempo, porque os dias são maus.

17 Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. (Ef. 5.15-17)

2) E QUEM DISSE QUE O TEMPLO PODE SER CHAMADO DE CASA DE DEUS?

Idolatrar o templo, como se um lugar físico tivesse poderes, como se um prédio – de tijolos, de pedras – fosse a razão do agir de Deus é, com certeza, um pecado, um pecado de idolatria, idêntico ao praticado com imagens. E, nesse sentido, é errado chamar Igreja de Casa de Deus.

É exatamente esse o contexto quando o apóstolo Paulo, em Atenas, diante de uma infinidade de imagens, afirmou que “o Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em templos (santuários) feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais…” (Atos 17.24-25)

Ser casa de Deus é muito mais que um prédio. No entanto, um lugar físico pode, sim, ser chamado propriamente de casa de Deus, quando é separado e, de fato, destinado a ser um lugar onde o único Deus, o Deus criador do universo e de tudo o que nele existe, é exaltado e adorado; onde a Sua vontade, a sua grande comissão é realizada, onde o Evangelho é, de fato e de verdade, crido, pregado e vivido por pessoas (famílias, esposo, esposa, pai, mãe, filhos e filhas) – verdadeiros templos do Espírito Santo – que ali vão, com o real intuito de adorá-lo, de todo seu coração, de toda sua alma, de toda sua força e de todo seu entendimento; onde pessoas amam o seu próximo, sejam elas pobres, ricas, pretas ou brancas, independentemente do seu gênero e partem o pão, fortalecem-se mutuamente na doutrina dos apóstolos, oram juntas e umas pelas outras e, assim, vivem a dimensão do Reino de Deus, a dimensão do Espírito, do cuidado, das misericórdias, do sobrenatural e do poder de Deus.

Um lugar assim não pode ser idolatrado, mas também não é um mero prédio estático e não só pode, como é pertinente ser chamado de casa de Deus, pois, no meio dela, passeia “aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro” (Apocalipse 2.1)

Um fato protogonizado por Jesus mostra o que Deus espera da Casa de Deus:

12 Tendo Jesus entrado no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam; também derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas.

13 E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores.

14 Vieram a ele, no templo, cegos e coxos, e ele os curou. (Mt 21.12-14)

 

3) AMAR A CASA DE DEUS É SINAL DE ESPIRITUALIDADE VIVA

Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do SENHOR (Sl 122.1) Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seu templo. (Sl 27.4)

Se existe alguém que amava a casa de Deus, esse era Davi, um homem segundo o coração de Deus. Ele amava tanto a casa de Deus, que deu do seu tesouro particular para construíla, mesmo não podendo ele ser o construtor. Ele se alegrava de coração!

Nos tempos de Davi, Jesus não havia dito à mulher Samaritana (João 4.21-24) que chegaria o tempo em que não se adoraria em um lugar físico específico, mas em Espírito e em verdade. No entanto, isso lhe era desnecessário.

Davi já tinha esse conceito dentro dele. Ele adorava a Deus em Espírito e em verdade, mesmo em um lugar físico. Não era apenas o lugar, mas a presença de Deus, a comunhão com o Pai que o fazia amar a Casa do Senhor!

Davi transbordava de amor por Deus e pela casa de Deus e essas duas coisas devem, de fato, andar juntas, embora muitos tenham tentado transformar a casa de Deus em outras coisas, como lemos há pouco no texto de Mateus 21.

A nós, porém, cabe ser os templos do Espírito que tornarão vivos os prédios, por meio de uma vida digna do Cristo que morreu por nós e ressuscitou, de modo que todos possam olhar e identificar a igreja, sim, como a casa de Deus.

Um lugar voltado para contemplar a beleza do nosso Pai, onde se possa meditar na Sua Palavra, no Seu agir, onde as pessoas encontrem “casa”.

Onde, como Davi no dia da adversidade, encontramos acolhida, pois ali há mais que um prédio; ali é invocado e adorado o Deus que é uma Rocha, onde encontramos abrigo (Sl 27.5).

Um lugar onde esposos, esposas, pais, mães, adolescentes e jovens, toda família, tenham prazer em ir, pois ali estarão em comunhão com Deus, com irmãos e irmãs em Cristo, crescendo juntos, fortalecendo-se mutuamente na fé.

Se a casa de Deus for assim para mim e para você, nunca estaremos OCUPADOS DEMAIS para AMÁ-LA. Na verdade, como acontecia com Davi, contaremos a hora para vir adorar ao Pai, e quando acabar, terá passado tão rápido, que já deixará vontade de chegar a próxima semana!

Quero finalizar esse ponto cantando o texto bíblico que lemos de início, um salmo dos filhos de Corá e que era um cântico, o qual expressa muito bem esse amor pela casa de Deus:

Sl 84.1 Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos!

Sl 84:2 A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!

Slm 84:3 O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu, [encontrei] os teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!

Slm 84:4 Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente.

 

CONCLUSÃO

Como está o seu amor por Deus e pela casa de Deus! Será que você entrou nessa de NÃO PERCEBER a passagem do tempo, de se perder nele e SOBRECARREGAR de coisas; está OCUPADO DEMAIS com tantas tarefas, tantos compromissos, que ficou difícil AMAR A CASA DE DEUS? QUE ATÉ TEM SE TORNADO UM PESO, OU PERDA DE TEMPO?

Será que você entrou nessa de achar que pode fazer AUTOGESTÃO da sua vida cristã, que basta assistir vídeos, podcasts, e assim estará bem na sua vida com Deus? Hoje Deus quer reacender seu amor por Ele e pela casa dEle, a ponto de se tornar algo tão essencial, que você sentirá falta de ter tempo de adoração, de comunhão, de servir com e ao seu irmão, pois é assim que realizamos a vontade do nosso Pai e só assim, no uns aos outros, vivemos plenamente o Evangelho de Jesus Cristo.