Proteja Sua Igreja

Texto Base:

Como prisioneiro no Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que receberam.

Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor.

Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.

Efésios 4:1-3

 

Introdução

Acredito que precisemos rever nosso conceito de IGREJA e, mais do que isso: precisamos nos esforçar, renovar nosso ânimo para ser IGREJA segundo o conceito e o propósito de Deus.

As tão grandes e numerosas desilusões que têm sido geradas por diversos problemas de muitas igrejas, tanto nas últimas décadas como historicamente, têm tirado de nós a capacidade de olhar para a Igreja como Deus a vê.

O pr. Rick Warren faz a seguinte afirmação sobre a Igreja: Nada na terra é mais valioso para Deus que sua igreja. Ele pagou o mais alto preço por ela e a quer protegida, especialmente dos danos devastadores causados pelas divisões, conflitos e discordâncias.

Desenvolvimento

1. COMO DEUS VÊ A IGREJA?

Mat 16:18 Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

Ats 20:28 Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.

Efs 1:22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, 23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.

Efs 3:10 para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais.

 

Eu confesso a vocês que, quando cheguei nesse versículo, eu comecei a chorar e parei por aqui mesmo o meu mergulho bíblico sobre como Deus vê a Igreja. Há muito mais:

• Jesus vê a Igreja como uma instituição que Ele edificou e que as portas do inferno não prevalecerão sobre ela.

• Paulo afirma claramente que foi Deus quem comprou a igreja com seu próprio sangue e chama a responsabilidade aqueles com a missão de pastorear, cuidar do rebanho.

• E continua dizendo que Deus deu Jesus como cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude de Cristo que a tudo enche em todas as coisas (a igreja é o que há de mais parecido com Jesus e que acaba com todo vazio)

• Revela, ainda, Paulo que Deus criou a Igreja para que, por ela, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, até mesmo dos principados e potestades nos lugares celestiais (a igreja para Deus é o instrumento para fazer conhecida a Sua multiforme sabedoria)

Eu vou fazer algo diferente… eu gostaria, agora, que todos ficassem de pé e começássemos a orar pela IGREJA de Deus em toda a terra. A clamar a Deus pela Sua IGREJA nos quatro cantos do mundo!

Ó, Deus, o que está acontecendo conosco? O que está acontecendo com a tua Igreja? Meu Pai, tem misericórdia de nós!

 

 

II – O QUE FAZER PARA PROTEGER A IGREJA, PARA SER/VIVER COMO DEUS A VÊ?

1 Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, 2 com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportandovos uns aos outros em amor, 3 esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz;

Nosso tema hoje é sobre proteger a igreja, no contexto da comunhão.

O texto que acabamos de ler, Efésios 4.1-3 deixa claro ser nossa responsabilidade, nós da família de Deus, de nos esforçarmos, com humildade, mansidão, longanimidade e suportando-nos uns aos outros, para preservar [PROTEGER] a unidade do Espírito no vínculo da paz!

A Unidade é o que nos identifica com Cristo (Jo 17.20-23).

Quero compartilhar, a partir desses textos bíblicos, 4 aspectos em relação aos quais você e eu devemos PROTEJER a igreja de perder seu foco e de se perder na sua missão:

1. Saiba lidar com as diferenças e os diferentes

João 20:26 Passados oito dias, estavam outra vez ali reunidos os seus discípulos, e Tomé, com eles. Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco! 27 E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. 28 Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu!

Jesus é a pessoa que mais nos ensina a lidar com as diferenças e os diferentes. Imagina ter um grupo com Pedro, Judas, Tomé…. Pense?

O que prejudica a Unidade não são as diferenças, é a nossa ideia de uniformidade.

Podemos ser diferentes e pensar diferente sobre várias coisas, mas, compartilharmos da mesma fé, concordarmos com o que é importante, essencial, fundamental, com uma mesma visão. Jesus lidou até com a incredulidade de Tomé! Ele sabia da sua dificuldade de crer!

Meu genro é vascaíno – a gente perdoa kkk – mesmo assim nós vamos viajar juntos esses dias! Deus abençoe os vascaínos, amém!

Já imaginou se você se casasse com alguém igualzinho a você? Você acordaria no outro dia e já se depararia com quem? Outro você! Que coisa monótona. Tudo seria previsível. Para quem é narcisista ou goste de controle, talvez ache bom ou se sinta seguro!

Mas, o interessante é que Deus escolhe pessoas diferentes, com qualidades diferentes, personalidades diferentes, formações, jeitos diferentes, gostos diferentes e coloca-as juntas, seja numa mesma família, seja na Sua Família, a Igreja. Será que Ele errou?

Querer que todos sejam do mesmo jeito, pensem igual, às vezes até que se vistam igual não revela Unidade; revela uma necessidade de controle e uma certa arrogância de acreditar que você tem o melhor jeito ou sabe o que é melhor para outros… Isso prejudica a Unidade.

 

2. Não exagere nas expectativas – crentes e pastores também são humanos

2Co 11:28 Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas. 29 Quem enfraquece, que também eu não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me inflame? 30 Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza.

Expectativas muito altas, grande possibilidade de frustração.

Não existe igreja perfeita.

O que isso significa? Que você terá de amar uma igreja com imperfeiçoes!

No contexto do texto que acabamos de ler, Paulo estava praticamente fazendo um desabafo, pois, apesar de toda sua dedicação ao Evangelho (naufrágios, chicotadas…), ainda havia quem questionasse seu chamado por Deus, para o ministério.

Se queremos uma Igreja viva, sensata, cheia do Espírito Santo, com uma Palavra poderosa, que pregue o Evangelho, que cuide realmente do seu rebanho, que não fique oscilando em ondas teológicas… uma Igreja centrada em Cristo e na Palavra…, sejamos você e eu esta Igreja! Seja a solução para a imperfeição que você vê!

O pr. Rick Warren nos traz dois ensinamentos importantes sobre isso:

• Ansiar pelo ideal enquanto critica o real é sinal de imaturidade. Em contrapartida, conformar-se com o real sem lutar pelo ideal é passividade. Maturidade é conviver com essa tensão.

• As pessoas ficam desiludidas com a igreja por muitas razões compreensíveis. A lista poderia ser bastante longa: conflitos, mágoas, hipocrisia, negligência, mesquinharias, legalismo e outros pecados. Quanto mais rápido renunciarmos à ilusão de que uma igreja deve ser perfeita para que a amemos, mais rápido deixaremos de fingir e admitiremos que somos todos imperfeitos e precisamos de graça. Esse é o início da verdadeira comunidade.

 

3. Julgamento e Fofoca – nem sequer queira ouvir

Salmo de Davi. Disse comigo mesmo: guardarei os meus caminhos, para não pecar com a língua; porei mordaça à minha boca, enquanto estiver na minha presença o ímpio. (Sl 39.1)

Se existem dois inimigos perigosos da igreja, são o julgamento e a fofoca.

Nós vivemos, no Brasil e creio que em todo mundo, um momento em que o que dá notícia, o que atrai as pessoas é o escândalo, o “barraco”, as mentiras, as fofocas, as notícias falsas que se espalham… Infelizmente, a igreja não está imune a essa mentalidade.

Alguém tropeçou, falhou, errou…, não seja você o que esmaga a cana quebrada ou apaga o tição que fumega (Is 42.3), nem o que espalha para o mundo a dificuldade do seu irmão, da sua irmã. Seja o que o(a) ajuda a levantar, seja instrumento de Deus para conserto, edificação do Corpo. Em vez de criticar perante outros, chame-o(a), exponha a ele(a) a situação e esteja disposto(a) a ajudá-lo(a) a levantar e reconstruir sua vida!

Há algo da Igreja que aparenta precisar de ajuste? Procure o pastor, apresente a questão e se disponha a ser solução para resolver! Isso é crítica construtiva, com o objetivo de consertar, de melhorar e não fofoca, com o intuito de destruir.

Em vez de sermos megafones do Acusador (Ap. 12.10), sejamos instrumentos do Reconciliador (2 Co 5.18-19).

Alguém chegou a você para julgar seu irmão/irmã (inclusive pastor) ou para falar mal sobre ele(a), recuse-se a ouvir e diga-lhe: se de fato você quer ser um instrumento de Deus, de benção, então, procure o(a) irmão/irmã (o pastor) e fale diretamente a ele(a).

Dessa forma, estamos protegendo a Igreja (e não se trata de corporativismo ou acobertamento), mas de real e efetivos melhorar, crescer, corrigir e honrar a Deus!

 

4. Não se deixe levar pela Polarização

…buscai a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb 12.14).

Estamos em ano eleitoral. E uma marca das disputas eleitorais, no Brasil e no mundo afora, tem sido a polarização. O que mais ouvimos falar nas últimas eleições foi de pessoas cujos parentes brigaram, saindo de grupos, de redes sociais…; dentro de igrejas, irmãos e irmãs em Cristo se afastando por conta de ideologias e convicções político-partidárias diversas. Só eu que vi isso, não foi?

Você e eu temos, como cidadãos desta terra, toda liberdade e o direito de votar em quem quisermos. Aliás, entendo pessoalmente que há até um dever nosso, como cristãos, de participarmos da melhor construção política possível para reger nossas vidas terrenas.

No entanto, o que não podemos, nem devemos deixar acontecer é que nossas ideologias e nossas convicções político-partidárias (sejam elas quais forem) se sobreponham a nossa fé, aos princípios do Reino de Deus (parecer com Cristo) e, especificamente, à Unidade da Igreja, de modo a determinarem nossa vida, nosso comportamento, gerando contendas, dissenções, facções, discórdias, conflitos. Ninguém tem o direito de impor aos demais suas convicções e ideias.

Aqui, contudo, parece que muitas igrejas e cristãos têm confundido as coisas.

As nossas escolhas políticas são opções para regular a vida no Reino dos homens, as relações humanas dentro de um Estado Democrático de Direito (dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus). O Estado Democrático de Direito é, segundo muitos, o melhor modelo de Estado que a capacidade humana foi apta a gerar. Ainda assim, como o imperialismo que o precedeu, é um conceito humano. Sujeito às falhas e imperfeições típicas do ser humano.

Como portadores de dupla cidadania (da terra e dos céus), há legitimidade no plano terreno para o exercício de nossas escolhas políticas, para a defesa de nossas convicções ideológicas sobre o que seria um melhor modelo de Estado, de regulação econômica, de assistência social, de saúde, de educação etc.

Não podemos, contudo, esquecer de que somos peregrinos na terra, nosso tempo aqui é apenas uma pequena, bem pequena parte da vida eterna. E passa muito rápido!

Discutir, brigar em razão de questões do Reino dos homens é semelhante à situação do homem que acumulou bens e, um dia, Deus pediu sua alma. De que adiantou?

Estamos falando de comunhão. De Proteger a igreja. Não podemos deixar que nossas diferenças de ideais e de escolhas políticas façam crescer em nós o ódio, a raiva, dissensões, facções, discórdias, etc. Nitidamente, essas coisas refletem as obras da carne descritas em Gálatas 5.20 e são contrárias aos princípios do Reino de Deus.

Nós não seremos conhecidos como discípulos de Jesus Cristo entrando nessa onda de polarização, semeando a discórdia, vivendo em contendas, em confusões, dissensões, facções, propagando o ódio, a raiva… nada disso.

Somos reconhecidos como discípulos quando disseminamos o amor e semeamos a paz, para com todos!

Conclusão

Como Deus vê a Igreja? Como podemos ser essa Igreja que Deus vê e protegê-la para que não se perca no cumprimento de sua missão?

…andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, 2 com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, 3 esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef. 4.1-3)

Não há Igreja perfeita. Ame sua igreja com as suas imperfeições, mas, não se conforme com elas; disponha-se a ser instrumento para aperfeiçoar, crescer. Seja igreja vibrante, cheia do Espírito Santo, faça parte disso. Recuse ser receptador de julgamentos e fofocas, seja agente de perdão e de reconciliação.